segunda-feira, 18 de julho de 2016

PT faz autocrítica diante de vitórias da direita

O Brasil vive, hoje, um momento atípico em sua história política, com um presidente interino, do PMDB, uma presidente afastada, do PT, e um presidente da Câmara Federal, do DEM, eleito na semana passada para um mandato "tampão" de seis meses. Petistas cearenses entrevistados pelo Diário do Nordeste reconheceram que parte desta mudança, na qual o espectro político de direita vem se consolidando, aconteceu por erros na condução da política nacional quando do Governo do Partido dos Trabalhadores. 

Para o deputado estadual Manoel Santana, a agremiação perdeu o norte da condução estratégica da política quando se preocupou mais com a crise no capitalismo, sendo responsável por modelos de políticas compensatórias, mas que deram resultados. No entanto, ele ressalta que, mesmo com índice bom no que diz respeito à economia, a estrutura econômica era fraca e foi abalada pela crise econômica internacional, perdendo-se muito do que foi conquistado. "Isso se re¡ete na política partidária e o partido perdeu a perspectiva de ideologia. Dentro de uma votação como essa (do novo presidente), na Câmara dos Deputados, o PT deveria marcar muito bem seu espaço ou estar organizando as forças de esquerda em um projeto político claro. Mas ocorreu uma fragmentação que resultou na indicação do DEM, o que representa um retrocesso, sendo, no entanto, o mal menor", lamentou. 

Tática e estratégia 

Para o deputado petista, é necessário que o partido repense seus objetivos táticos e estratégicos, pois falhou nos dois. "No tático, quando fez alianças a qualquer custo para se manter no Governo, e no estratégico porque perdeu o objetivo a longo prazo. Eu tenho dito nos debates internos do PT que a aliança com o PMDB lá atrás foi um mal necessário, mas foi isso que contribuiu, de forma importante, para a nossa fragmentação e fortalecimento deles", opinou. Santana, no entanto, salienta que o contexto da crise brasileira não pode ser visto fora do que ocorre nos demais países da América Latina, visto que, em sua análise, há um revés dos governos democráticos e populares. Para ele, nos países onde ainda existe sobrevida deste pensamento ideológico, isso se dá porque há uma política estratégica clara. "Faltou isso no Brasil e na Argentina, por exemplo". 

Presidente do PT em Fortaleza, o deputado estadual Elmano de Freitas disse que o partido contribuiu para a alteração da conjuntura política nacional quando não insistiu em fazer reformas estruturais no País, como a Política, a Tributária e a dos Meios de Comunicação. "A falta de reformas contribuiu para o crescimento de pequenos partidos sem ideologia, e conseguiu fazer surgir  guras como o (ex-presidente da Câmara Federal) Eduardo Cunha", disse. Para Elmano, tanto no Congresso quanto no Governo há uma pauta de retrocesso no que diz respeito aos direitos dos trabalhadores. "O povo brasileiro, os estudantes do Fies e Prouni, vão ter que lutar muito para garantir os direitos conquistados com o PT. A sociedade que foi às ruas a favor de impeachment, ou não, não quer a diminuição de direitos", afirmou.

- Diário do Nordeste

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