sexta-feira, 25 de setembro de 2009

SÍTIO FUNDÃO: UM PARQUE EM DESTRUIÇÃO



Vandalismo e descaso

Em virtude da lentidão na implantação do Parque Estadual, a destruição se voltou para o patrimônio edificado no sítio Fundão. A casa de taipa de primeiro andar, onde será construído o memorial em homenagem ao ecologista Jéferson da Franca Alencar, mais uma vez foi invadida por vândalos. Esses roubaram uma dezena de portas, quatro bicas de zinco, o restante da instalação elétrica e a caixa d’ água. Isso sem contar os utensílios domésticos que foram quebrados. Na mata, houve roubo de madeira e no rio Batateiras, na extenção dentro da propriedade, foi encontrado barramentos para a pesca predatória. Além do roubo de cabos elétricos de alta tenção da COELCE, que interliga a propriedade e gado que pastam dentro da reserva.

Os meios de comunicação são os nossos testemunhos de quantas notícias e pedidos de socorros foram feitos em defesa da reserva as autoridades responsáveis pela a implantação de uma vigilância permanente. Sem essas providências adotadas, os ex-proprietários previam tal realidade.

No dia 31 de agosto de 2008, foram entregue as chaves do sítio na esperança de que fossem cumpridos os objetivos da desapropriação para a proteção permatente. Já no dia 1º de junho de 2009, o governador do estado assinou na URCA, a ordem de serviço para a construção imediata da sede do Parque Estadual com prazo de 180 dias para a conclusão da obra. Hoje, quase quatro meses depois da assinatura, nada foi feito no lugar. Até agora, há apenas uma cerca de arame farpado na entrada prilcipal.

Ação difamatória da SEMACE

Por outro lado, a família Franca Alencar, ex-proprietária da reserva, foi surpreendida com uma ação processual e pessoal em que cita um de seus membros e estudantes universitários do instituto ecológico cultural como invasores e supostos vândalos da área. Ação fundamentada pelo agente da SEMACE Cariri, em represália as denúncias feitas pelos acusados. O que causou indignação e revolta entre os ativistas ambientais pelo afronto a quem protege e defende por segurança na área (interpretação da ação: por ter sido paga a propriedade, por não terem condição de fiscalização permanente e por incomodação das reclamações).

Um relato dos acontecimentos foi enviado ao governador do estado Cid Gomes, juntamente com uma carta assinada pela família, pedindo uma retratação da SEMACE Cariri pela inverção dos valores e fotografias que mostram a realidade atual da reserva. Enquanto isso, o promotor de justiça, Dr. Pedro Luís Lima Camelo, da Comarca do Crato, recebeu do ambientalista Ed Alencar, ex-proprietário e radialista, as denúncias de destruição e prometeu providências cabíveis.



Outro assunto: Visita de pesquisadores

No mês de julho, o Instituto da Memória do Povo Cearense (IMOPEC), realizou no SESC Juazeiro do Norte, o seminário cultural “Cariri, uma memória em construção”. Atento para a valorização da memória coletiva associada ao patrimônio cultural da região, para o estímulo as ações de preservação dos lugares da memória e para a necessidade de políticas públicas de proteção ao patrimônio natural, o evento contemplou 46 pessoas. Dentre eles, haviam estudantes, professores, lideranças e pesquisadores.

Durante o seminário, houve apresentação de painéis a respeito do movimento socioambiental em defesa do sítio Fundão. Na sequência, destacaram-se as explanações sobre diferentes bens culturais e naturais da região. No meio do evento, os participantes visitaram o sítio Fundão e o rio Batateiras, reafirmaram o valor paisagístico e histórico da área reservada e questionaram a demora para a implantação do parque estadual. Isso porque, existem projetos (arquitetônico e museográfico), recursos anunciados pelo governador. A visita ao Fundão contou com a participação de representantes do IMOPEC, Museu do Ceará e prefeitura de Juazeiro do Norte.

A persistência do atraso nos serviços exigirá novas ações populares e cada um deve tornar público e notório a real situação da área. Afinal, a inexistência de um escoamento eficiente para a água, estragou a estrada que dá acesso ao Fundão. O cupim alastrou-se pelo sobradinho de taipa e as trilhas ecológicas parecem de fato abandonadas. Até quando ouviremos tais relatos? Até quando o governo adiará a obra? Qual será a próxima justificativa?

Ed Alencar e defensores do Sítio Fundão


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