quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Em debate na CNBB, Aécio e Dilma trocam farpas sobre corrupção

Os candidatos à Presidência Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) trocaram críticas sobre corrupção nesta quarta-feira (17) durante debate organizado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Os dois acusaram o partido do outro de conivência com irregularidades e, junto com outros candidatos, lembraram de casos envolvendo a Petrobras, o mensalão petista e tucano, além da construção de um aeroporto público em Minas.

O debate, exibido pela rede de emissoras católicas, também contou com a participação de Marina Silva (PSB), Pastor Everaldo (PSC), Luciana Genro (PSOL), Eduardo Jorge (PV), Levy Fidelix (PRTB) e Eymael (PSDC), que discutiram temas sociais, econômicos e que envolvem propostas sensíveis a religiosos, como o aborto e a criminalização da homofobia.
O tema da corrupção foi levantado por Aécio, quando questionado por Pastor Everaldo sobre a Petrobras. O tucano respondeu que os brasileiros estavam "envergonhados e indignados", em referência à prisão do ex-diretor Paulo Roberto Costa. O tucano disse que, desde o primeiro debate, cobrou explicações de Dilma.
Como presidente da República, [Dilma] sempre fez questão de mostrar de forma muito clara quem é que mandava naquela empresa. De lá para cá, outra gravíssima denúncia surgiu, que fez que o mensalão parecesse coisa pequena"
Aécio Neves
"Como presidente da República, [Dilma] sempre fez questão de mostrar de forma muito clara quem é que mandava naquela empresa. De lá para cá, outra gravíssima denúncia surgiu, que fez que o mensalão parecesse coisa pequena", disse, em referêcia às denúncias de pagamento de propina a políticos com contratos superfaturados na estatal.

Dilma pediu direito de resposta e rebateu o tucano dizendo tem tolerância zero com a corrupção. Disse que quem investigou a Petrobras foi a Polícia Federal de seu governo e citou medidas para combater irregularidades.
Nunca escolhemos engavetador geral da República. Se hoje se descobre atos de corrupção ilícitos é porque não varremos para baixo do tapete"
Dilma Rousseff
"Nunca escolhemos engavetador geral da República. Se hoje se descobre atos de corrupção ilícitos é porque não varremos para baixo do tapete", respondeu.

Marina Silva não participou do embate sobre a corrupção, porque os candidatos que respondiam eram escolhidos por sorteio.

Ao dialogar com Aécio sobre a Petrobras e o mensalão, Pastor Everaldo disse que "vemos aí milhões indo pelo ralo da corrupção. Alguns que foram presos levantam o braço e manifestam como se fossem heróis".
 
"A população brasileira concorda com isso? A pessoa rouba o seu suor, o seu trabalho, você dá o sangue e depois é roubado, e ainda sai com punho erguido dizendo que é um herói brasileiro. Esta é uma situação que envergonha o brasileiro, envergonha a cada um de nós".
Luciana Genro, quando questionada por Aécio sobre educação, mencionou escândalos envolvendo o PSDB, como o mensalão mineiro,com supostos desvios de dinheiro público para bancar a candidatura de Eduardo Azeredo ao governo de Minas em 1998. Falou sobre compra de votos para aprovar a emenda da reeleição de Fernando Henrique Cardoso, suspeitas de corrupção nas privatizações, além da construção de aeroporto público perto da fazenda de Aécio.
"O senhor fala como se no governo do PSDB nunca tivesse havido corrupção, quando na realidade nós sabemos que o PSDB foi o precursor do mensalão e o PT deu continuidade a essa prática de aparelhamento do Estado que o PSDB já havia implementado", disse Luciana Genro. "O senhor falando o PT é como o sujo falando do mal lavado", afirmou depois.
Aécio replicou dizendo que que Luciana "voltava às suas origens" e "servia como linha auxiliar do PT". "Linha auxiliar do PT uma ova, candidato Aécio, porque o PT aprendeu com o senhor, aprendeu com o seu partido", treplicou Luciana, que também chamou o tucano de "fanático das privatizações" e "fanático da corrupção".
Aécio obteve direito de resposta e afirmou que "aquele que se dispõe a governar o Brasil tem que ouvir impropérios, e aqueles que são irrelevantes, acusações absolutamente  irresponsáveis e levianas não devem gastar um tempo tão escasso como o que temos para falar de Brasil".
Para o Brasil que queremos, é fundamental que o Estado feche o dreno da corrupção e coloque os recursos para a saúde, educação, segurança pública, para melhorar a vida de todos os brasileiros"
Marina Silva
Marina
Sem confronto direto com Aécio e Dilma, seus principais adversários, Marina Silva respondeu a perguntas de bispos, jornalistas ligados a veículos católicos e dos demais candidatos. Em suas considerações finais, disse que "quem vai ganhar essas eleições não são as estruturas da polarização, dos partidos PT e PSDB".

Antes, em resposta a Eymael sobre como tornar o país mais justo e solidário, defendeu proposta de 10% das receitas do governo para a saúde e escola em tempo integral.
Disse que "infelizmente" Dilma e Aécio não apresentaram seus programa de governo. "Para o Brasil que queremos, é fundamental que o Estado feche o dreno da corrupção e coloque os recursos para a saúde, educação, segurança pública, para melhorar a vida de todos os brasileiros", falou em seguida.
Reforma política
No primeiro bloco, a própria CNBB questionou se os candidatos apoiavam as propostas da entidade para a reforma política: fim do financiamento privado de campanha, eleição em dois turnos para a Câmara (primeiro em partidos, depois em pessoas) e maior participação das mulheres nas candidaturas.

Primeiro a responder, Aécio disse que a reforma política deve anteceder as demais e defendeu voto distrital misto e o fim da reeleição. Marina disse apoiar o financiamento público de campanha e maior sintonia das instituições com a sociedade. Dilma disse apoiar as propostas da CNBB e defendeu sua realização por meio de plebiscito.

O fim das coligações foi defendido por Eduardo Jorge. Luciana Genro condenou relações "promíscuas" entre financiadores e candidatos depois de eleitos. Pastor Everaldo pregou o fim do voto obrigatório e Levy Fidelix criticou a distribuição desigual de recursos e tempo de TV entre os partidos. Eymael respondeu a pergunta narrando sua trajetória política.
Temas polêmicos
O segundo e o terceiro blocos do programa foram dedicados a perguntas de bispos e jornalistas ligados a veículos católicos aos candidatos. Em algumas, foram abordados temas polêmicos, como aborto e homofobia, ao lado de questões sociais.

Questionado sobre proposta para criminalizar a homofobia, Aécio Neves disse que "qualquer discriminação deve ser considerada crime, inclusive a homofobia", mas questionou se o projeto em tramitação no Congresso, o PLC 122/2006, seria o mais adequado.

Eduardo Jorge foi questionado sobre o aborto e defendeu mais educação sexual e planejamento familiar para diminuir a prática. "Enquanto isso não acontece, não pode deixar abandonadas as mulheres que fazem aborto de forma clandestina", disse, pedindo a revogação da "lei cruel e machista" que criminaliza o aborto.
Questionada sobre como vê a relação entre Estado e religião, Luciana Genro disse que "as políticas públicas não podem estar subordinadas a nenhuma religião, a nenhuma crença", para depois defender o casamento gay e o criminalização da homofobia.

Pastor Everaldo disse ser contrário à proibição do funcionamento de canais religiosos, ao ser questionado sobre projeto nesse sentido. Ele afirmou que é contra a "mão do Estado" nesse aspecto e que não deve haver marco regulatório de comunicação.

Em perguntas sobre temas sociais, Marina Silva defendeu mais educação e oportunidades para livrar jovens da violência e também parcerias do governo federal com prefeituras e iniciativa privada para alavancar investimentos em saneamento básico e coleta de esgoto.
Na área da saúde, Dilma defendeu o programa Mais Médicos e falou que pretende implementar o Mais Especialidade, para atendimento em áreas específicas e exames. Em outro momento, indagada sobre redução da desigualdade social, destacou o estudo da ONU que mostra queda do número de pobres e na redução da fome no país desde 2002.
G1.com

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