
Colegas e companheiros de trabalho e de luta
As convenções sociais, como as que demarcam datas de acontecimentos, fatos históricos, situações especiais, papéis sociais e categorias profissionais, entre outros, constituem-se, tradicionalmente, em motivos para cumprimentos e homenagens.
Assim funciona a sociedade para expressar seu reconhecimento e realçar o significado que para ela ganham esses fatos e elementos constitutivos de sua ordem social.
Evidentemente que, em muitas ocasiões, por trás dessas manifestações, se escondem intenções de ordem econômica ou demagógica. Infelizmente, quando direcionadas às categorias dos docentes, essas homenagens não têm ido além de elogios descompromissados que encobrem as políticas desrespeitosas e os mecanismos de exploração que nos têm sido impostos.
Para nós, que vivemos a dura realidade de, com nossos próprios esforços, superar as deficiências das condições que nos são disponibilizadas para exercer o trabalho acadêmico, o ensejo da data em que se comemora o dia do professor nos remete à crítica dos
problemas que temos enfrentado e às ações necessárias no sentido do
real reconhecimento e valorização da categoria.
Em razão disso, nos dirigimos aos colegas e companheiros de luta no dia dedicado ao professor e o fazemos sob o peso de uma conjuntura de crise econômica e política que demarca a possibilidade concreta de dias mais difíceis do que vivemos hoje e sob o signo de um dos mais fortes ataques que governos já desferiram à liberdade e autonomia da
organização sindical, um dos mais significativos direitos dos trabalhadores em sociedades efetivamente democráticas.
Nesse quadro, com o uso poderoso da máquina administrativa, com o apoio de administradores submissos e com estratégias divisionistas, tentam os governantes quebrar nossa história de unidade e resistência, buscando nos comprometer com projetos que não estão voltados para os interesses dos trabalhadores, mas destinam-se àqueles que querem fazer da educação um bem de troca, submetida às leis do mercado em aviltante
desrespeito ao direito de todos à ela e, em particular, dos jovens na busca por formação profissional e social.
É neste cenário que conclamamos todos à luta pela reversão das condições de trabalho hoje impostas à categoria docente: baixos salários, sobrecarga de trabalho, rompimento do princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, formas de
controle produtivistas, desmantelamento da carreira docente e das políticas privatizantes, desqualificadas e distanciadas dos interesses da sociedade que vêm sendo implementadas para a educação no país.
Por tais razões, companheiros e colegas, nunca as palavras do educador Paulo Freire, que abaixo transcrevemos, foram mais apropriadas e convidativas a nossa ação militante. É com elas que nos saudamos pelo nosso dia.
”A luta dos professores em defesa de seus direitos e de sua dignidade
deve ser entendida como um momento importante de sua prática docente,
enquanto prática ética. Não é algo que vem de fora da atividade
docente, mas algo que dela faz parte. O combate em favor da dignidade
da prática docente é tão parte dela mesma quanto dela faz parte o
respeito que o professor deve ter à identidade do educando, à sua
pessoa, ao seu direito de ser.”
Paulo Freire
Brasília, 15 de outubro de 2008
Diretoria do ANDES-Sindicato Nacional
SINDURCA - ANDES / CONLUTAS
Imagem: amauryonline.blogspot.com
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