terça-feira, 14 de outubro de 2008

OS IMPACTOS DA CRISE FINANCEIRA MUNDIAL PARA O BRASIL



A crise bancária e do mercado de crédito que tem sua origem nos Estados Unidos, se alastrou rapidamente pela economia e contaminou o sistema mundial. A crise que começou como uma crise no pagamento de hipotecas acabou gerando o que se chama de "crise de confiança": quem possui recursos sobrando não empresta, quem precisa de dinheiro para cobrir falta de caixa não encontra quem forneça.

Quem apostava em emergentes 'blindados' aos problemas externos, agora vê o tamanho do reflexo da crise. Não há mais como negar que chegou ao Brasil. Os seus reflexos são sentidos na bolsa de valores, no consumo das famílias, no investimento das empresas, na inflação, nas exportações e no crescimento do país. Fica claro que o brasileiro deve sentir no bolso a crise externa. Os bancos brasileiros já estão encontrando taxas mais altas para tomar empréstimos no exterior, o que afetará o crescimento do crédito. No Brasil, é exatamente esse o principal efeito da crise: taxas de juros maiores, prazos menores e maior seletividade.

Com medo da crise financeira aumentar, os investidores tiram o dinheiro das Bolsas, consideradas investimentos de risco. Então, faltam recursos para as empresas investirem e a crise aumenta, o que faz o investidores tirarem mais dinheiro. O pânico toma conta dos investidores e o que presenciamos é uma forte queda nos mercados acionários. Portanto, a crise que estava restrita ao sistema financeiro passou a contaminar a economia real, representada pelo investimento, a produção e o consumo.

O setor industrial brasileiro já começa sentir impactos da crise financeira nos Estados Unidos. Em setembro, o setor produtivo seguiu uma tendência de desaceleração. Com a circulação de dinheiro congelada as famílias também enfrentam dificuldades para financiarem o seu consumo. O comércio varejista, nos últimos dois meses, já dá sinais de decréscimo.

Nesse quadro, os investidores partem para a compra de dólares. O dólar voltou a se valorizar de forma crescente, a partir de agosto, o que tem efeitos diretos sobre a inflação. Isso significa, por exemplo, que o preço do pãozinho pode aumentar, já que o insumo utilizado na sua produção é importado. Por outro lado, a valorização do dólar não terá efeitos significativos sobre as exportações do país porque os países compradores estão se desaquecendo.

Por fim, o resultado da contração de crédito afetará o crescimento econômico brasileiro. Com menos dinheiro, gasta-se menos, produz-se menos e o crescimento é menor.

José Micaelson Lacerda Morais
Prof. Dep. Economia da URCA

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